Presidente do Paraguai apresenta carta de renúncia, após escândalo bancário.

O pedido foi enviado ao Congresso Paraguaio, que decide se vai aceitá-lo ou não, já que em paralelo está em andamento o processo de impeachment do presidente.
Santiago Peña, presidente do Paraguai, enviou carta de renúncia no ápice de uma crise política e institucional provocada pela intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP) no Ueno Bank devido a severos problemas de liquidez e insuficiência de capital. Segundo o jornal ABC Color, o banco tinha cerca de três milhões de clientes (quase metade da população do país) e mantinha centenas de milhões de dólares em depósitos e fundos previdenciários públicos.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Santiago Peña afirmou que tomou a decisão em um dos momentos mais difíceis da vida, com plena consciência de sua gravidade, ressaltando que "a República deve estar sempre acima de qualquer pessoa ou circunstância".
Ele espera que a sucessão obedeça à Constituição para garantir a continuidade do governo e o funcionamento das instituições. Define como prioridade imediata a proteção da população afetada pela crise financeira, defendendo categoricamente a devolução dos recursos dos cidadãos, a atuação integral do Fundo de Garantia de Depósitos e o ressarcimento dos poupadores. Santiago Peña foi acionista da instituição até 2025.
Impeachment
Parlamentares não devem aceitar a renúncia do presidente. Ontem, dia 4 de novembro, foi apresentado pedido de impeachment contra Peña e o vice-presidente, Pedro Allianz, que se livrou do processo. A acusação contra Peña é que há conflito de interesses decorrente da participação acionária do presidente com a Ueno Holding. Sem apoio até mesmo dentro do Partido Colorado e o avanço do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, o mandatário optou por renunciar antes da votação de sua destituição. No Paraguai todo ex-presidente tem cargo vitalício de senador, mas não quando é empecinado.
O caso banco Ueno
O Ueno Bank é um banco digital que rapidamente se tornou um dos maiores do Paraguai. Na segunda-feira o Banco Central do Paraguai decretou a intervenção e suspensão das atividades do banco, após auditorias identificarem que o seu índice de solvência havia despencado para menos de 50% do mínimo exigido por lei.
As investigações indicam que o Ueno fez empréstimos excessivos e sem garantias suficientes a empresas ligadas ao próprio grupo controlador. A Justiça decretou a prisão de dirigentes e executivos de alto escalão (como o presidente do banco e o chefe do Grupo Vázquez), além de formalizar dezenas de acusações por crimes como lesão de confiança e tentativa de estelionato.
Devido à intervenção, milhões de correntistas tiveram as contas e cartões congelados, gerando pânico, filas em agências e protestos em Assunção, capital do país. Além de contas de pessoas físicas e jurídicas, o banco também possui US$ 850 milhões em verbas de órgãos públicos e do sistema de previdência social.
A crise do banco piorou porque Santiago Peña havia sido acionista do grupo controlador do banco até o início de 2025, além de ter indicado para a presidência do Banco Central um ex-dirigente ligado à instituição financeira. Diante das acusações de conflito de interesses e facilitação de privilégios, a pressão popular e o rompimento do apoio político forçaram a renúncia de Peña da presidência.
Paraíso dos conservadores brasileiros
Bolsonaristas costumam citar o Paraguai como exemplo de país, que até se tornou um destino ou sonho de migração para empresários e grupos conservadores brasileiros. Entre os motivos estariam impostos e carga tributária menores. A dominância do Partido Colorado, de direita, com sua agenda conservadora - marcada pela defesa da família tradicional, pauta armamentista e oposição a agendas progressistas - criam um ambiente ideologicamente confortável para o grupo. Mas a realidade é que menos impostos entregam serviços públicos como educação, saúde e infraestrutura viária, inferiores aos do Brasil.
A corrupção também é alta. No Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional, o Paraguai obteve 24 pontos em 100. (Para referência, a média global é de 43 pontos). E o país ocupa a posição 150 entre 182 nações. É apenas uma retórica ilusória de que menos interferência do Estado gera melhores condições de vida para a maioria da população.
O que você precisa saber
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O pedido foi enviado ao Congresso Paraguaio, que decide se vai aceitá-lo ou não, já que em paralelo está em andamento o processo de impeachment do presidente.
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Santiago Peña, presidente do Paraguai, enviou carta de renúncia no ápice de uma crise política e institucional provocada pela intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP) no Ueno Bank devido a severos problemas de liquidez e insuficiência de capital.
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De acordo com o jornal ABC Color, o banco tinha cerca de três milhões de clientes (quase metade da população do país) e mantinha centenas de milhões de dólares em depósitos e fundos previdenciários públicos.
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Fontes para checagem
- Renunció Santiago Peña: la caída del Presidente por el caso Ueno Bank
- Mensaje del Presidente de la República, Santiago Peña - Instagram Oficial
- https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-11/presidente-do-paraguai-renuncia-em-meio-crise-bancaria-vice-assume
- Paraguay vuelve a quedar expuesto entre los países con mayor corrupción del planeta
- Paraguay: Corruption perceptions - Transparency International